Lideranças têm módulo de ensino sobre análise de conflitos e desenvolvimento humano e social

Por: Valdeniza Vasques

Publicada em: 11/03/2026 às 13:20

Os alunos do curso de Formação Estratégica para Lideranças Indígenas, realizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), concluíram o primeiro módulo de ensino da formação. Com o tema “Análise de Conflitos, Desenvolvimento Humano e Social”, o módulo foi o primeiro da formação que terá duração de três meses, com aulas presenciais em Manaus (AM).

O curso é uma realização pelo Centro Amazônico de Formação Indígena (Cafi) e integra o projeto Redes Indígenas da Amazônia, desenvolvido pela Coiab em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) Brasil, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através do Fundo Amazônia.

“Esse curso é importante para que as novas lideranças tenham mais conhecimento e possam ser agentes transformadores em suas organizações, no movimento indígena e em suas comunidades. Nesta segunda edição, nós incluímos novos conteúdos sobre resoluções de conflitos, uma vez que os alunos foram indicados pelos territórios que fazem parte da rede Coiab, e nós enfrentamos muitas ameaças de invasão aos nossos territórios. Precisamos de mediadores que possam conversar sobre essas questões. Outro diferencial dessa edição é que, além da teoria, teremos a prática junto ao Podáali e outras instituições parceiras que podem nos auxiliar na formação das lideranças”, explicou o coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri.

O primeiro módulo foi ministrado pela professora Macione Baroni, empreendedora social e ativista política. A professora enfatizou a importância do processo de autoconhecimento das lideranças e identificação de suas potencialidades.

“Foi um período de trocas, para eles se conhecerem, saber quem são, de onde estão vindo. Muitos têm dificuldades de se reconhecer e reconhecer suas potencialidades e necessidades enquanto pessoas e lideranças. Também fizemos um grande mapa, onde identificamos os principais conflitos hoje nas associações e comunidades, de vários níveis. Foi interessante para que os alunos pudessem reconhecer esses conflitos e entenderem como podem sair do papel de vítima para protagonista, como se preparar para ocupar os espaços de decisão”, pontuou.

Segundo a cursista Marly Kaxuyana, do estado do Pará, o módulo trouxe reflexões sobre questões que as lideranças já vivenciam em seus territórios, masque muitas vezes não sabem categorizar. “Foi bastante produtivo, aprendi a compreender as causas dos conflitos, a dinâmica de resolução, assim como a identificar onde é que eu estou envolvida, buscar, analisar, avaliar, destrinchar esses conflitos e trazê-los à tona para resolver. É uma oportunidade de aprendizado e melhora para nossas relações e tomada das decisões, para que possamos ser mais conscientes e justos enquanto lideranças”, disse.

Fotos: Pedro Tukano