Lideranças indígenas da Amazônia e especialistas discutiram os riscos de viabilidade da Ferrogrão e os impactos socioeconômicos nos territórios durante a Roda de Conversa Arco Norte: Corredor Logístico do Agronegócio na Amazônia, realizada na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) no Acampamento Terra Livre (ATL), na noite desta terça-feira (7).
Alessandra Munduruku, líder indígena da região do Médio Tapajós, abriu a roda destacando a resistência e a mobilização das comunidades amazônicas. “A Amazônia não é apenas território, é vida. Não podemos permitir que rios, florestas e povos tradicionais sejam sacrificados para o lucro do agronegócio. Nossa resistência é de todos os povos da Amazônia.”

Alessandra Munduruku, líder indígena da região do Médio Tapajós. (Foto: Nailson Wapichana)
Johnson Portela, do GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental, trouxe um panorama do Arco Norte, explicando que se trata de uma estratégia de logística do agronegócio para escoamento de commodities, principalmente soja e milho, pelos portos do norte do Brasil, beneficiando economicamente o setor privado e ampliando impactos ambientais e sociais nas regiões do Tapajós, Madeira e Tocantins-Araguaia.
Lucas Tupinambá, vice-coordenador do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (Cita), reforçou a necessidade de vigilância e ação das comunidades. “Não vamos permitir que a Ferrogrão avance sem consulta e sem diálogo. É hora de nos mobilizar e defender a soberania dos povos amazônicos, porque a Amazônia não se vende.”
Tan Moura, do Instituto Madeira Vivo, trouxe o histórico de lutas e resumiu os impactos do projeto. “Desde 2008 lutamos contra a privatização do Rio Madeira e a pressão da soja sobre nossos rios e florestas. A Ferrogrão vai ampliar ainda mais esse corredor, aumentando desmatamento e impactos sobre nossas comunidades.”

Lideranças indígenas da Amazônia e especialistas debatem sobre Ferrogrão no ATL (Foto: Nailson Wapichana)
Mariel Nakane, assessora técnica do Instituto Socioambiental (ISA), completou o debate destacando falhas na análise de viabilidade da Ferrogrão. “Ela apresenta falhas metodológicas sérias, incluindo subestimação de custos, ausência de avaliação de riscos e omissão de externalidades socioambientais”, finalizou.
O debate reforçou a urgência da mobilização dos povos indígenas e aliados, tanto no campo quanto nos tribunais. Hoje, 8 de abril, ocorre o julgamento da Ferrogrão no Supremo Tribunal Federal (STF), empreendimento que ameaça Terras Indígenas no Pará e em Mato Grosso. As lideranças preparam um ato de pressão para que os ministros considerem os impactos socioambientais e respeitem a soberania dos povos amazônicos.
Fotos de Capa: Ney Manchieri/Rede de Comunicadores Indígenas da Amazônia
Fotos da Matéria: Nailson Wapichana/Rede de Comunicadores Indígenas da Amazônia
