Representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), do Podáali – Fundo Indígena da Amazônia Brasileira e da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (Umiab) participaram da Cúpula Global 2026 sobre Meios de Vida e Conservação, realizada em Brasília entre os dias 26 e 29 de maio. O evento reuniu lideranças globais indígenas, comunidades locais e afrodescendentes para promover e fortalecer economias lideradas por comunidades.
“Falar de modos de vida coletivos e conservação é falar de território. Para os povos indígenas, a economia não está separada da cultura, e a conservação não está separada dos direitos. O que muitos chamam hoje de solução climática, nós chamamos há muito tempo de modo de viver, de proteger e de respeitar a vida”, discursou Angela Kaxuyana, representante da Coiab na Bacia Amazônica, durante a abertura do evento.
Integraram ainda a delegação da rede Coiab na Cúpula: Valeria Paye, diretora executiva do Podáali; Maura Arapiun, vice-coordenadora da Umiab; Marquinhos Karajá, presidente da Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (Arpit); Alana Manchineri, assessora internacional da Coiab; e Wauana Manchineri, técnica do Centro Amazônico de Formação Indígena (Cafi) da Coiab.
A programação foi marcada por painéis com representantes do Brasil, África, América Latina e Ásia, que debateram temas como economias comunitárias, direitos territoriais, financiamento direto, acesso a mercados, protagonismo feminino, iniciativas coletivas e soluções dos territórios para as crises do clima e da biodiversidade.
Um dos momentos de destaque foi a participação da diretora executiva do Podáali, Valeria Paye, no painel “Iniciativas para promover modos de vida comunitários e conservação”, onde apresentou o fundo Podáali como um exemplo concreto de iniciativa apoia a gestão territorial, economias sustentáveis e o fortalecimento institucional na Amazônia indígena brasileira.
Os participantes também se reuniram em grupos de trabalho para mapear e definir caminhos, prioridades, marcos legais, barreiras, oportunidades e recomendações para o fortalecimento dos modos de vida em suas regiões. Os resultados das discussões embasaram a construção da Declaração da Cúpula, com um chamado à ação e recomendações para transformar os modelos atuais de desenvolvimento, conservação e financiamento, reconhecendo os modos de vida coletivos e economias comunitárias como pilares centrais para enfrentar as crises climática, ecológica e social.
O documento estará disponível para acesso em breve em todos os canais das instituições organizadoras do evento.
A Cúpula Global sobre Meios de Vida Coletivos e Conservação foi uma coorganização da Rights and Resources Initiative (RRI), Coiab, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e Ministério da Igualdade Racial, em parceria com a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ).
Foto: Valdeniza Vasques
