Juventude indígena fortalece protagonismo e cobra políticas específicas no ATL

Plenária reúne representantes de diferentes territórios da Amazônia e evidencia desafios e avanços da nova geração no movimento indígena.

Por: Carolina Givoni

Publicada em: 13/04/2026 às 12:14

A “Plenária Juventude Indígena da Amazônia em Movimento”, realizada nesta quinta-feira (9), no Acampamento Terra Livre (ATL), reuniu jovens lideranças de diferentes regiões da Amazônia na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). O encontro debateu protagonismo, desafios nos territórios e a necessidade de políticas públicas específicas voltadas à juventude indígena.

A plenária foi mediada por Marciely Ayap Tupari, coordenadora-secretária da Coiab, que destacou a importância da incidência política da juventude indígena. “A presença da juventude nesses espaços fortalece a nossa luta e garante que nossas pautas avancem”, afirmou.

Representantes de diversas organizações de base compartilharam experiências de organização e resistência, destacando o avanço da participação jovem dentro do movimento indígena.

Do Acre, Caio Lopes Huni Kuin ressaltou a importância da presença indígena nas universidades e da organização estudantil. “A gente criou um coletivo dentro da universidade para movimentar os estudantes indígenas e, a partir disso, conseguimos garantir acesso específico para o nosso povo. Isso é muito importante para a juventude que quer estar na carreira acadêmica e representar o movimento”, afirmou.

De Roraima, Beto Caetano reforçou a mobilização da juventude e a cobrança por justiça. “A juventude está na linha de frente, lutando e resistindo junto com as lideranças. A gente vem buscar nossos direitos e também cobrar respostas. O nosso futuro não está à venda. A resposta somos nós”, declarou.

Do Amazonas, Izabel Munduruku destacou a necessidade de políticas públicas específicas e o olhar diferenciado para a juventude indígena. “A gente precisa pensar políticas públicas a partir da nossa realidade, porque estamos em diferentes contextos, nas universidades e nos territórios, enfrentando violações. Quando nossa cultura não é respeitada, a juventude é apagada todos os dias”, disse.

Do Maranhão, Inaê Guajajara denunciou os impactos do agronegócio e a pressão sobre os territórios. “Nós estamos sufocados dentro dos nossos territórios. O veneno está chegando, as doenças estão aumentando e a juventude está sendo diretamente afetada. A gente precisa denunciar isso todos os dias e usar nossas vozes para defender nossas comunidades”, afirmou.

De Rondônia, Erica Migueleno destacou a construção recente do movimento e o diálogo com as bases. “Não é fácil mobilizar dentro dos territórios, mas a gente conseguiu criar uma articulação direta com a base, levando as pautas que nascem lá para os espaços de decisão e fortalecendo também os parentes que estão no contexto urbano”, explicou.

Do Amapá, Taís Karipuna ressaltou os desafios logísticos e a importância da participação da juventude. “Nem sempre é possível trazer muitos jovens por falta de recurso, mas quem está aqui vem para aprender, defender o território e mostrar que a gente é capaz. A juventude precisa ocupar esses espaços e seguir na luta”, afirmou.

Representando o Território Indígena do Xingu, Tahudjeni Kalapalo destacou o processo de construção do movimento de jovens. “Nosso movimento ainda está se fortalecendo, mas a juventude está aqui para somar forças com os caciques e lideranças. Estamos juntos na luta pelos nossos direitos e para fortalecer o movimento indígena”, declarou.

Em comum, as falas evidenciam uma juventude cada vez mais organizada, que ocupa espaços, fortalece suas identidades e assume papel central na continuidade das lutas dos povos indígenas na Amazônia.

Foto do Palco: Are Yudja/Rede de Comunicadores Indígenas da Amazônia
Fotos de participantes: Alex Costa/Rede de Comunicadores Indígenas da Amazônia