Em planejamento, Coiab apresenta resultados e define metas estratégicas para os próximos 4 e 10 anos da organização

Por: Valdeniza Vasques

Publicada em: 11/02/2026 às 11:57

Entre os dias 2 e 5 de fevereiro, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) reuniu representantes das organizações que compõem a sua rede para o ‘Planejamento Estratégico Quadriênio: visão de futuro da Coiab e do movimento indígena em 10 anos’. A agenda teve o objetivo de definir metas estratégicas a médio e longo prazo, além de apresentar os avanços e conquistas da Coiab na atual gestão.

Participaram do planejamento estratégico representantes das nove organizações estaduais de base da Coiab, além de membros dos Conselhos Fiscal e Deliberativo e representantes da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (Umiab). A mediação do evento foi feita pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit – GIZ.

A primeira parte do planejamento foi dedicado a uma análise de conjuntura nacional e internacional, mediada por parceiros do Movimento dos Atingidos por Brragens (MAB) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).  O coordenador-geral, Toya Manchineri, a coordenadora-secretária, Marciely Tupari, e o vice-coordenador secretário, Sérgio Marworno, falaram sobre o trabalho realizado na gestão da Coiab até o momento. As seis gerências que compõem a organização também apresentaram os resultados conquistados e o trabalho que vêm sendo desenvolvido desde 2022.

O coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, defendeu um planejamento com um olhar voltado para a transformação da organização.

“Neste planejamento, existe toda uma trajetória que temos que pensar enquanto presidentes de organizações, gerentes, técnicos e lideranças da Bacia Amazônica e da Amazônia brasileira, para definir que Coiab queremos para o futuro. E pensar como vamos sustentar nossas estruturas a nível de Brasil e movimento indígena como um todo. Além disso, estamos em ano de eleições gerais, o que significa que temos que pensar a Coiab nesse cenário político, e transformar nossos votos no Congresso. Nosso foco ainda é a luta pelos direitos e a demarcação das nossas terras, mas precisamos observar o cenário atual e definir como integrar essa realidade aos nossos territórios, e como usá-lo para deixar a Coiab mais forte”, disse.

Durante a programação, as lideranças elencaram temas que devem guiar a atuação da organização, como: demarcação territorial, financiamento direto, economias indígenas, mudanças climáticas, formação técnica, formação política, soberania alimentar, políticas transversais (gênero, juventude e infância), fortalecimento institucional da Coiab e instituições de base, gestão territorial, políticas públicas estruturantes, acervo indígena e protocolos de consulta.

Resultados alcançados pela Coiab na atual gestão também foram apresentados pelas gerências da organização, como as formações para lideranças e de Agentes de Monitoramento Indígenas; avanço na construção do aplicativo de Monitoramento Territorial próprio; estreitamento de parcerias; execução de grandes projetos, como o Redes Indígenas da Amazônia e Dabucury; fortalecimento da comunicação da Coiab e da rede de comunicadores indígenas; aumento da incidência em agendas internacionais de clima e biodiversidade, com destaque para a participação da Coiab na COP30; atuação à frente do G9 da Amazônia Indígena; adoção de plataformas de gestão e política de registro de ativos; avanço na reforma da sede física da Coiab; acompanhamento jurídico de pautas emblemáticas, como o Marco Temporal; entre outros.

O coordenador-executivo da Fepipa, Ronaldo Amanayé, classificou como de suma importância que a Coiab esteja bem estruturada para que possa atuar de forma efetiva nos territórios. “É importante que a nossa organização maior da Amazônia tenha cada vez mais essa qualificação de profissionais, a garantia de recursos para que as gerências possam executar suas atividades nos nossos territórios. Esse planejamento vem para cada vez mais aumentar e qualificar trabalhos dentro dos nossos territórios, para que possamos ter harmonia, garantia de direitos e proteção ambiental e territorial. Como rede, é importante também pegarmos essas experiências, esses modelos de gerências e adaptar nas nossas organizações estaduais para que a gente também consiga fazer cada vez mais o trabalho de qualidade”, declarou.

Gilson Curuaia, presidente do Conselho Fiscal da Coiab, destacou algumas iniciativas que empreendidas pela Coiab: “Tivemos a criação da Gerência de Monitoramento Territorial Indígena, que é muito relevante, e o projeto Redes, que é um projeto que fortalece as organizações da rede Coiab, a própria Coiab, contemplando cada estado, com formação de lideranças através do Cafi. Todas essas iniciativas, além de dar autonomia às organizações da rede, dão uma capacidade de estruturação, formação e protagonismo para as organizações indígenas em toda a Amazônia”, pontuou.

Valda Wajuru, vice-presidente do Conselho Deliberativo da Coiab, destacou a força da comunicação da Coiab para fazer denúncias e trazer ajuda aos territórios. Ela citou o episódio de queimadas em seu território, em Rondônia, quando sua comunidade estava sofrendo com os efeitos da fumaça. Segundo a liderança, somente após a divulgação de vídeos por meio da comunicação da Coiab que o território recebeu a ajuda de brigadas de incêndio para conter os incêndios.

“O trabalho dos comunicadores avançou muito e é algo que desejo que amplie cada vez mais, pois a informação sai dos territórios e chega até em lugares que nós não nos conseguimos chegar. Isso para ajudar, principalmente nesse momento de mudanças climáticas que vivemos”, afirmou Valda.

Foto: Valdeniza Vasques