Nessa quinta-feira (16), alunos do curso de Formação Estratégica para Lideranças Indígenas finalizaram mais uma etapa ao completar a matéria “Gênero, Infância e Povos Indígenas”. A iniciativa promovida pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e realizada pelo Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI) trouxe o tema prioritário para a sala de aula, abrindo um espaço de debate construtivo e de escuta sobre tópicos urgentes que precisam ser trabalhados dentro dos territórios.
Como trabalho final, os participantes realizaram um exercício de reflexão em grupo, desenvolvendo cards que destacavam problemáticas como o contexto de violência vivenciado por jovens, mulheres e crianças dentro dos territórios. A finalidade foi discutir soluções possíveis para o combate não só aos crimes como também às estruturas de poder colonialistas, que influenciam e transformam o modo de viver dos povos indígenas, acentuando problemas que afetam de forma desproporcional principalmente mulheres e crianças.
Para a professora do módulo, Lídia Farias, os encontros com interlocutores de várias partes da Amazônia brasileira se tornaram uma oportunidade de construção coletiva, com perspectivas diversificadas do pensamento crítico sobre o assunto.
“O resultado deste módulo foi observar que pessoas tiveram contato com um tema muito contemporâneo e necessário no contexto atual porque contribui para combater toda e qualquer forma de violência contra mulheres, crianças e povos indígenas. Violência não é cultural e nem tradicional, os povos indígenas têm muito a oferecer na preservação dos valores da vida nos territórios”, afirmou a professora.
Como mulher indígena, Marly Kahyana, do povo Kahyana no estado do Pará, falou sobre suas perspectivas nessa discussão e encontrou na sala de aula um espaço seguro para compartilhar suas vivências, superando barreiras em um assunto que ainda é considerado um tabu em diversos ambientes.
“A disciplina dessa semana foi de extrema importância, um tabu que estamos tentando superar dentro das comunidades, mas durante as aulas conseguimos absorver diversas informações a partir das aulas e discussões em que os alunos tiveram a oportunidade de participar. O tema é amplo e gera muitos debates importantes que precisam de tempo, mas saímos daqui levando para os nossos territórios um pouco mais de conhecimento dentro do assunto trazido neste módulo”, disse Marly.
Antônio Kaxinawá, do povo Huni Kuin no estado do Acre, usou sua oportunidade durante a aula final para destacar como o debate foi importante para mostrar a participação dos homens no fortalecimento de políticas de gênero e infância dentro dos territórios.
“As discussões sobre o papel do movimento indígena na proteção de crianças e mulheres fortaleceram o nosso conhecimento e mostraram o papel da juventude como uma rede de apoio no combate a atividades ilegais e para mudança do cenário de violência que enfrentamos dentro do nosso território”, declarou o cursista.
O curso de longa duração continua até o mês de maio e integra o projeto Redes Indígenas da Amazônia, desenvolvido em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) Brasil, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através do Fundo Amazônia.
