Durante a Roda de Conversa “Somos o Presente e o Futuro: Direitos das Crianças Indígenas em Todos os seus Territórios”, realizada na quinta-feira (9) na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), no Acampamento Terra Livre (ATL), as crianças indígenas se tornaram protagonistas, discutindo a importância de garantir direitos fundamentais.
Elas entregaram um manifesto ao Congresso Nacional com pautas que envolvem demarcação de terras e proteção da infância.
Durante a mediação da mesa, a gerente de formação e diretora pedagógica do Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI) se emocionou ao falar sobre os desafios enfrentados. “É juntos que a gente faz essa construção. O conceito de coletividade é fundamental para que a gente continue se fortalecendo e fortalecendo a luta pelo direito de todos os povos em todos os territórios.”
A roda de conversa contou ainda com a participação ativa de crianças que vêm construindo politicamente suas experiências e reivindicações. Entre elas, Yara Sateré-Mawé.
“Fomos à Câmara dos Deputados para falar com a deputada Juliana Cardoso. Se ela vai fazer uma lei focada nas crianças, ela tem que falar com a gente. Não são só ls adultos que sentem a dor, nós também sentimos. Nós somos crianças, mas entendemos muito bem”, disse.
Luna Manchineri reforçou a importância da escuta das crianças no processo legislativo. “Lá na aldeia é diferente da cidade: lá o impacto é maior, na cidade é menor. Então, se ela vai falar com a gente, tem que escutar todas as crianças, indígenas e não indígenas”, complementou.

As crianças participaram de um momento de incidência política e foram recebidos pela deputada Juliana Cardoso (PT-SP), relatora do Projeto de Lei (PL) que vai modificar a Lei Orgânica da Saúde com foco na infância indígena.
Gracinha destaca que o trabalho do Cafi com as crianças vai muito além das brincadeiras. “Crianças politizadas: é isso que a gente quer. Nossas próximas lideranças, para que possamos dar suporte aos nossos anciãos e anciãs e garantir a continuidade da nossa luta”, finalizou.
O momento de comemoração e encerramento do Cafi Parentinho foi conduzido por Yara, com o apoio dos adultos que auxiliaram com o Maracá e conduziram todos na roda de dança.
O evento foi seguido por uma marcha simbólica das crianças, em alusão ao ato “Marcha Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”, reafirmando o compromisso das novas gerações na defesa dos direitos de seus povos e da preservação dos territórios indígenas.
Fotos: Nailson Wapichana e Anderson Arapaço/ Rede de Comunicadores Indígenas da Amazônia
