Coiab participa de oficina estratégica sobre inventário biológico e social do Alto Rio Japurá

Evento reuniu organizações indígenas, órgãos públicos e instituições parceiras para discutir proteção territorial, povos isolados e desafios socioambientais.

Por: Carolina Givoni

Publicada em: 11/07/2026 às 13:05

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) participou, nesta sexta-feira (10), do encerramento da Oficina Estratégica de Inventário Biológico e Social sobre o Alto Rio Japurá, realizada no Hotel Amazon Ecopark Jungle Lodge, para fortalecer o diálogo entre organizações indígenas, instituições públicas e entidades parceiras sobre a proteção dos territórios e dos povos da região.

Ao longo da oficina, foram debatidos temas considerados estratégicos para a Amazônia, entre eles a demarcação de terras indígenas, a governança territorial, a ancestralidade, a proteção dos povos indígenas isolados nas regiões dos rios Purué, Mayarí e Juami, além da destinação de glebas públicas.

A coordenadora-tesoureira da Coiab, Dineva Kayabi, ressaltou que a participação da organização em espaços de articulação fortalece as organizações indígenas e contribui para transformar debates em ações concretas. Ela enfatizou que é essencial ouvir os povos indígenas, acompanhar os encaminhamentos construídos coletivamente e cobrar a implementação das propostas. “Não basta apenas apresentar as demandas; é preciso acompanhar o andamento das ações e fortalecer esse trabalho coletivo em defesa dos povos indígenas e dos nossos territórios”, destacou.

Na avaliação de Inara Sateré-Mawé, a produção de informações é fundamental para fortalecer a defesa dos direitos das mulheres indígenas. Segundo ela, a parceria entre a Umiab e a Coiab busca viabilizar a criação do Observatório de Violência contra Mulheres, Meninas e Crianças Indígenas, com o objetivo de reunir dados que subsidiem políticas públicas e ampliem a incidência política. “Precisamos mostrar que os territórios indígenas não são invisíveis. Neles existem problemas como o garimpo ilegal, a exploração sexual e outras violações que afetam diretamente nossas comunidades. Dar visibilidade a essa realidade é fundamental para promover mudanças efetivas”, afirmou.

As discussões também abordaram os desafios enfrentados nas comunidades das bacias dos rios Japurá, Apaporis e Traíra, incluindo questões relacionadas à fronteira entre Brasil e Colômbia, narcotráfico, atuação de grupos armados, garimpo ilegal, exploração sexual infantil, pirataria e patrimônio arqueológico.

O encontro contemplou ainda debates voltados aos povos Nadëb, Yuhupdëh, Makuna, Tukano, Tuyuka e aos povos indígenas isolados, além de tratar da situação das Terras Indígenas Paraná do Boá Boa, Uneiuxi, Médio Uneiuxi (em estudo), Alto Rio Negro e Apaporis.

Representando a Coiab, também participaram o gerente da Gerência de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (GPIIRC), Luiz Fernandes, e a técnica administrativa Wanen Kanamari. A oficina também contou com a participação de representantes da Umiab.

A oficina reuniu representantes de diversas instituições, entre elas o Field Museum, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Secretaria de Biodiversidade), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a ACT Brasil, a Defensoria Pública da União (DPU), o Comando Militar da Amazônia (CMA/Exército), a UNIPI-MSA, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e a APIAM.

A participação da Coiab reforça o compromisso da organização com a defesa dos direitos dos povos indígenas, a proteção dos povos isolados e o fortalecimento da governança territorial, contribuindo para a construção de estratégias voltadas à conservação da sociobiodiversidade e à proteção dos territórios indígenas na Amazônia.

Foto de Capa: Carolina Givoni/Coiab