Para celebrar a conquista histórica da homologação da Terra Indígena Kaxuyana Tunayana, resultado de uma luta de mais de 50 anos, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), por meio de sua coordenação executiva, juntou-se aos povos Kaxuyana, Kahyana, Xowyana, Txikyana, Xereu, Wai Wai, Tunayana e demais Yanas em evento que reuniu comunidades, líderes indígenas, representantes de organizações de base e de órgãos governamentais.
A cerimônia realizada na Aldeia Santidade, na região do Rio Cachorro, no município de Oriximiná (PA), contou com a participação do coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, a coordenadora-tesoureira, Dineva Kayabi, a representante da Coiab na Bacia Amazônica, Angela Kaxuyana, a gerente da Assessoria Jurídica Indígena, Auzerina Macuxi, a coordenadora-tesoureira da Umiab, Inara Sateré Mawé, a coordenadora executiva do Makira E’ta, Socorro Baniwa, o coordenador executivo da Fepipa, Ronaldo Amanayé, e o diretor financeiro do Fundo Podáali, Sandro Baré.
Entre danças, cantos e rituais tradicionais, o festejo também relembrou o longo período de luta e resistência dos povos indígenas pelo reconhecimento de seus direitos territoriais, renegado pelo Estado durante décadas. Para o coordenador-geral da Coiab, o momento reafirmou a importância do movimento indígena nas incidências políticas para a demarcação de terras, proteção da vida, cultura e futuro dos povos da Amazônia.
“Nossa participação nesta comemoração se dá no fortalecimento entre a Coiab e suas organizações de base e para aproximação com as lideranças nos territórios. Aqui celebramos a luta que, apesar de árdua, trouxe avanços significativos para os nossos povos e reafirmamos que a demarcação de terras indígenas permanece como o caminho para garantir direitos, autonomia, a preservação das nossas comunidades e, como resultado, a manutenção da floresta em pé. As parcerias firmadas pela Coiab através de financiamento direto são fundamentais para que avanços em processos de demarcação territorial, como o experienciado pela TI Kaxuyana Tunayana, aconteçam em outras regiões da Amazônia brasileira”, declarou Toya Manchineri.
O direito de existir com segurança jurídica era o que os povos buscavam há gerações e o reconhecimento se deu durante a COP30, que aconteceu em Belém em novembro de 2025, onde, além da homologação, foram anunciados avanços nos processos de demarcação territorial de outras TIs.
Para Ana Kahyana, presidenta da Associação Indígena Kaxuyana, Tunayana e Kahyana (AIKATUK) os recursos destinados pela Coiab e seus parceiros foram fundamentais para fortalecer a incidência das lideranças da TI Kaxuyana Tunayana, permitindo que o movimento indígena tivesse autonomia e meios logísticos para pressionar órgãos governamentais e garantir a proteção de seu território.
O apoio financeiro e técnico viabilizou a organização política e a presença física das lideranças em espaços de decisão, transformando a luta pela demarcação em um processo contínuo de vigilância e articulação.
“A iniciativa de apoio da Coiab junto aos parceiros possibilita a autonomia efetiva dos povos indígenas, onde nós somos os protagonistas, pois temos a possibilidade de acompanhar cada passo do processo da demarcação. Nos permite conhecer os limites e as áreas do território e assim melhorar nosso monitoramento e garantir maior proteção mostrando que nós, povos indígenas, somos a resposta para a segurança ambiental, territorial e climática dentro dos territórios. Esperamos que, no futuro, mais organizações e mais comunidades tenham essa mesma oportunidade”, declarou a presidenta.
Avanços na garantia de direitos territoriais na Amazônia brasileira
A vitória da TI Kaxuyana Tunayana mostra que somente pela luta organizada dos povos indígenas é possível preencher as lacunas deixadas pelo Estado na execução de políticas públicas e alcançar resultados concretos para os territórios. Neste cenário, a colaboração entre a Coiab e parceiros, no âmbito nacional e internacional, mostra-se essencial para consolidar a presença nos territórios, dar suporte em diversos âmbitos (jurídico, financeiro, técnico ou político), impulsionar as mobilizações das organizações de base e das associações e fortalecer a autodeterminação dos povos nas mais diferentes regiões da Amazônia brasileira.
Uma das iniciativas que contribuem para o protagonismo indígena no processo de demarcação de seus territórios é o Projeto Garantindo os Direitos Territoriais dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira, realizado pela Coiab por meio do Fundo Podáali, com apoio da The Tenure Facility, com recursos do governo do Reino Unido, que hoje abrange 5 territórios indígenas na Amazônia brasileira. Dentre os cinco territórios, a TI Riozinho do Iaco, localizada no estado do Acre, também obteve avanço e agora encontra-se na fase de delimitação física.
Por meio dos recursos destinados pelo projeto aos territórios, ações, entregas de equipamentos e formações têm sido realizadas desde o ano de 2023 nas regiões contempladas respondendo diretamente às necessidades de cada terra indígena, destaca-se a oficina de capacitação técnica para monitoramento territorial na TI Kaxuyana Tunayana, a entrega de botes de alumínio, motores de barco e rabetas para as aldeias da Terra Indígena Riozinho do Iaco com o objetivo de promover maior mobilidade, segurança e autonomia das comunidades indígenas.
Além das atividades diretas nos territórios, acordos de cooperação e campanhas de comunicação foram realizados pela Coiab junto aos povos, em colaboração com parceiros, a fim de pressionar os órgãos competentes e conquistar o avanço de cada etapa. Portanto, tanto a homologação quanto a aprovação do RCID da TI Riozinho do Iaco são respostas às ações diárias e à própria luta dos povos indígenas.
Autonomia e sustentabilidade dos povos e territórios indígenas
Desde a sua fundação, a Coiab traz como prioridade a defesa dos territórios e tem fortalecido sua incidência em diversos ambientes a fim de conquistar os objetivos específicos trazidos em seus eixos de atuação como incidir politicamente em qualquer atividade do Estado relacionada às gestões ambiental e territorial dos territórios indígenas; empoderar o conhecimento indígena como imprescindível para proteção dos territórios e da biodiversidade.
A retomada dos povos da TI Kaxuyana Tunayana – após a violência e expulsão sofridas durante a ditadura militar – e o reconhecimento oficial de suas terras pelo Estado brasileiro, assim como cada novo passo dado dentro das terras indígenas em processo de demarcação, revelam a importância das ações da Coordenação para promover a autonomia dos povos.
