Com o objetivo de fortalecer a luta pelo direito territorial utilizando a comunicação como ferramenta, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) deu início ao Ciclo de Formações Virtuais de Comunicadores Indígenas do Projeto Garantindo os Direitos Territoriais dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira, que capacitará os cursistas para o desenvolvimento de produtos comunicacionais que evidenciem o trabalho realizado por suas organizações na busca pela demarcação do território.
A grade contará com aulas de produção textual, fotografia, criação de roteiros, gravação e edição de vídeos, matérias que serão ministradas prioritariamente por comunicadores indígenas com uma longa experiência no ramo da comunicação e por mediadores de instituições parceiras da Coiab.
Durante a aula inaugural, que contou com a participação de representantes da Coiab, Fundo Podáali, The Tenure Facility e implementadora CGPH, o Vice-Coordenador Alcebias Sapará destacou o papel dos comunicadores na transmissão de informações com centralidade no olhar dos povos indígenas.
“Eu fico muito feliz por ver a força da comunicação nos territórios. Atualmente contamos com jornalistas formados, comunicadores e diversas pessoas atuando nesse campo, o que contribui para o que almejamos e mostra nossa realidade. A comunicação é uma roda que não pode parar; vocês precisam e devem seguir progredindo cada vez mais, pois são nossos ouvidos, olhos e carregam a opinião de dentro dos nossos territórios; vocês têm o poder de transmitir nossa mensagem para o mundo”, disse Alcebias em mensagem aos comunicadores participantes.
Em sua participação, Ariene Susui, técnica de comunicação e representante do Fundo Podáali na primeira aula do ciclo, enfatizou a importância da formação para garantir que as narrativas de comunicação sejam construídas a partir dos territórios e não o contrário.
“Aproveitem bastante a grade e a metodologia que está sendo apresentada. Elas são fundamentais para que possamos, de fato, ter um olhar direto dos territórios. Essa construção, feita coletivamente por todos vocês, garante que o resultado seja do modo como queremos, a partir das suas narrativas, dos seus olhares e dos seus territórios. Acredito que este será um caminho muito importante”, declarou Ariene.
Representando o fundo Tenure Facility, Aurelio Viana, atual coordenador sênior de programas, trouxe um panorama de como o projeto foi desenhado em conjunto para estabelecer uma comunicação efetiva por dois caminhos, primeiramente entre a Coiab e sua rede e, segundamente, dos territórios para com a Coiab, a fim de garantir que a troca de informações consolide a autonomia dos povos no avanço do processo demarcatório.
“É uma satisfação imensa ver todos vocês nesse processo de formação, que é parte dessa ação tão importante, tanto para os territórios contemplados como para outros, que estão em outros momentos do desenvolvimento de suas ações”, disse.
O presidente do Conselho Geral do Povo Hexkaryana (Cgph), Humberto Sóstenes Kawonoxa, também participou deste momento e durante sua fala destacou como o projeto foi importante para a organização e para os avanços dentro da TI Kaxuyana Tunayana.
Nesta primeira semana, os comunicadores tiveram duas aulas divididas entre teoria e prática com foco na produção de texto para multiplataformas. A disciplina foi ministrada pelo técnico de comunicação da Coiab, Pedro Tukano.
Por dentro do Projeto
O Projeto Garantindo os Direitos Territoriais dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira, realizado pela Coiab por meio do Fundo Podáali, com apoio da The Tenure Facility (com recursos do governo do Reino Unido), alcança 5 territórios da Amazônia brasileira e tem como objetivo obter avanços na garantia dos direitos territoriais de cada uma dessas regiões. As terras indígenas contempladas são TI Kaxuyana-Tunayana (PA), TI Kapyra-Kanakury (AM), TI Riozinho do Iaco (AC), TI Ituna-Itatá (PA) e TI Taquaritiua (MA).
