Coiab discute a criação de indicadores indígenas de desenvolvimento em reunião com a Coica

Trabalho deve incluir todas as nove organizações indígenas da Bacia Amazônica

Por: Valdeniza Vasques

Publicada em: 11/02/2026 às 17:45

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) se reuniu com representantes da Coordinadora de las Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica (Coica) para dialogar sobre a construção de indicadores indígenas de desenvolvimento. O objetivo é criar, em rede, métricas de análise próprias que reflitam a realidade dos povos indígenas da Bacia Amazônica, incluindo suas diversidades sociais, culturais, econômicas e territoriais, entre outros aspectos.

As discussões sobre a criação de indicadores próprios para os povos indígenas iniciaram ainda durante a COP30, em Belém, quando as lideranças falaram sobre a necessidade de desenvolver metodologias para medir as realidades indígenas, com bases em suas cosmovisões, prioridades e realidades territoriais.

“Nós, povos indígenas, precisamos estar atualizados a todo o momento sobre o que afeta nossas vidas e territórios. Este é um encontro importante para iniciar um trabalho para criar nossos próprios indicadores, que mostrem a nossa realidade. A Coiab está aqui para fazer esse trabalho”, disse a coordenadora-tesoureira da Coiab, Dineva Kayabi.

“Os povos indígenas precisam ter seus próprios indicadores não-convencionais, que reflitam seus territórios, economias, identidade, cultura e bem-estar, a partir das nossas próprias cosmovisões e realidades territoriais. As mudanças climáticas e seus impactos nas terras indígenas devem ser um tema transversal nesse trabalho”, pontuou Fany Kuiru, coordenadora-geral da Coica.

Durante a reunião, a Gerência de Monitoramento Territorial Indígena (GEMTI) da Coiab apresentou as ações e iniciativas que vêm realizando desde a sua criação, desde a gestão ambiental até a formação de agentes indígenas de monitoramento, demonstrando as metodologias da Coiab para a coleta de dados e informações sobre a realidade indígena na Amazônia brasileira.

Além da GEMTI, participaram gerentes e técnicos das gerências de Comunicção, Centro Amazônico de Formação Indígena (Cafi), Assessoria Jurídica Indígena e Assessoria Internacional da Coiab.

O próximo passo é a formação de um grupo de trabalho com pontos focais de cada uma das nove organizações indígenas da Bacia Amazônica para avançar na criação dos indicadores indígenas de desenvolvimento.

Foto: Divulgação/Coiab