A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) destaca como um marco histórico e simbólico o lançamento do edital do concurso para a carreira diplomática que, pela primeira vez na história do Brasil, reserva vagas específicas para pessoas indígenas no Instituto Rio Branco, porta de entrada do Itamaraty.
A abertura de duas vagas destinadas a candidatas e candidatos indígenas no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata representa um marco na luta dos povos indígenas por participação efetiva nos espaços de poder e decisão do Estado brasileiro, especialmente em um campo estratégico como a política externa. Trata-se de um passo inédito rumo à construção de uma diplomacia que dialogue com a diversidade étnica do país e reconheça os povos indígenas como sujeitos políticos, capazes de representar o Brasil em nível internacional.
Para a Coiab, a presença indígena na diplomacia brasileira tem um significado que vai além do acesso a um cargo público. Ela fortalece a possibilidade de o Brasil levar às mesas de negociação internacional vozes diretamente comprometidas com a defesa dos territórios, dos direitos humanos, da sociobiodiversidade e do enfrentamento à crise climática, temas centrais para os povos indígenas da Amazônia e para o futuro do planeta.
O concurso oferece, ao todo, 60 vagas para o cargo de terceiro-secretário, com salário inicial de R$ 22,5 mil, distribuídas também entre políticas afirmativas voltadas a pessoas pretas e pardas, pessoas com deficiência, quilombolas e mulheres, além das vagas de ampla concorrência. Essas medidas contribuem para ampliar a diversidade no serviço diplomático, historicamente marcado por desigualdades de acesso.
A Coiab destaca que a inclusão inédita de vagas para indígenas no Itamaraty é resultado de anos de mobilização, incidência política e reivindicação dos movimentos indígenas, que defendem um Estado mais plural, representativo e alinhado à realidade dos povos originários. Ao mesmo tempo, o desafio agora é garantir condições reais para que candidatas e candidatos indígenas possam disputar essas vagas, considerando as desigualdades históricas de acesso à educação, à formação em línguas estrangeiras e aos cursos preparatórios.
Neste momento emblemático, a Coiab reafirma seu compromisso com a defesa de políticas públicas que promovam a equidade racial e étnica e encoraja jovens indígenas da Amazônia e de todo o Brasil a ocuparem espaços estratégicos, como a diplomacia, levando consigo seus saberes, territórios e identidades.
A entrada de indígenas na carreira diplomática não é apenas uma conquista para os povos originários, mas um avanço para o próprio Brasil, que passa a se projetar no cenário internacional com maior legitimidade, diversidade e justiça histórica.
Concurso para Diplomata – Informações do Certame
- Cargo: Terceiro-Secretário (início da carreira diplomática)
- Total de vagas: 60
- Vagas destinadas a indígenas: 2 (pela primeira vez na história do Itamaraty)
- Salário inicial: R$ 22.558,56
- Órgão responsável: Ministério das Relações Exteriores
- Banca organizadora: Cebraspe
- Inscrições: de 4 a 25 de fevereiro
- Taxa de inscrição: R$ 229 (com possibilidade de isenção para inscritos no CadÚnico e doadores de medula óssea)
Etapas do concurso:
- Primeira fase (objetiva): 29 de março
- Segunda fase (provas escritas): 25 e 26 de abril; 2 e 3 de maio
Disciplinas cobradas:
Língua Portuguesa, Língua Inglesa, História do Brasil, História Mundial, Geografia, Política Internacional, Economia, Direito e Língua Espanhola ou Francesa.
Requisitos:
- Ser brasileiro nato
- Ter diploma de curso superior reconhecido pelo MEC
Locais de prova: todas as capitais brasileiras e o Distrito Federal
Foto: Mário Vilela/Funai
