A segunda turma do Curso de Formação Estratégica para Lideranças Indígenas, iniciativa da Coiab para fortalecer a gestão indígena nos âmbitos político, técnico e institucional, celebrou a conclusão da trajetória acadêmica nesta quarta-feira (20), em Manaus. Ao todo, 24 lideranças receberam o diploma do curso que tem o objetivo de fortalecer a formação técnica, política e institucional indígena da Amazônia brasileira.
O curso, que teve duração de três meses em Manaus, é uma realização do Centro Amazônico de Formação Indígena (Cafi) e integra o projeto Redes Indígenas da Amazônia, desenvolvido pela Coiab em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) Brasil, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através do Fundo Amazônia.
A coordenação executiva da Coiab, parceiros e representantes de organizações indígenas estiveram presentes na cerimônia realizada na capital amazonense. A ocasião foi marcada por emoção e a renovação do compromisso de avançar cada vez mais o movimento indígena por meio da educação.
“A nossa gestão trabalha descentralizada porque nem sempre uma gestão consegue fazer tudo sozinha. É necessário o nosso fortalecimento com nossas organizações para que as ações cheguem ao território. E descentralizar significa partilhar vitórias e responsabilidades. Estamos crescendo e olhando para o futuro, fortalecendo o nosso movimento, mas olhando as dificuldades que o nosso povo passa. Com uma boa gestão, temos que olhar para dentro dos territórios e solucionar juntos essa questão. Nesse trabalho, é muito importante para a gente a formação. Com a formação, nós vamos ser agentes realmente transformadores nos nossos territórios”, destacou o coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, sobre a importância da formação.

A multiplicação dos saberes adquiridos pelos cursistas para dentro de suas comunidades foi um ponto destacado pelos demais membros da coordenação executiva presentes na cerimônia.
“É multiplicar de uma forma que vá ajudar nas organizações, com os coordenadores da nossa rede, que eles também precisam dessa orientação. A gente não tem só que aprender, a gente tem que praticar; essa prática que vai fazer a diferença nos seus territórios, nas suas organizações”, disse a coordenadora-tesoureira, Dineva Kayabi.
“Que o conhecimento que vocês adquiriram seja implementado dentro das suas aldeias e fortaleça a união nas suas organizações de base”, declarou a coordenadora-secretária, Marciely Tupari.
“Hoje, nós estamos aqui na Coiab, mas no futuro serão vocês [alunos] que estarão lá como caciques, como presidentes da organização local, na Funai, no MPI, nas coordenações regionais. Por isso a importância de trazer jovens com o compromisso de vir, escutar, aprender e levar de volta o conhecimento para as bases”, completou o vice coordenador secretário, Sérgio Marowrno.
Jacilene Kaxuyana Tiryo, indicada pela Apoianp, foi uma das cursistas escolhidas para ser a oradora da segunda turma do curso de formação.
“Durante a formação, cada um de nós plantou uma semente. Nossos projetos de pesquisa são sementes que nasceram dos nossos territórios, das nossas histórias, das nossas culturas, dos anciões e anciãs, dos saberes que carregamos no corpo e na memória. São projetos sobre plantas medicinais, grafismo, canto e danças, proteção territorial, formação de lideranças e resistência dos nossos povos. Essas sementes agora retornam para seus territórios de origem, onde irão brotar, crescer e dar frutos. Porque o conhecimento que nasce no chão, sempre volta para o chão e é ele que alimenta as próximas gerações”, discursou.

“Sabemos que a base sólida que construímos aqui será sempre o alicerce para um futuro de construções significativas para o nosso povo, cultura e território. A caminhada não foi solitária. Professores, colegas, lideranças e a equipe da Coiab e do Cafi, todos aqui são parte dessa vitória. Hoje, não apenas conquistamos um título, conquistamos o direito de sonhar ainda mais alto”, declarou o orador da turma, Kaike Aikanã, cursista indicado pela Opiroma.
Também participaram da cerimônia Gilson Curuaia e Inara Sateré-Mawé, cursistas da turma de 2025; Socorro Baniwa, coordenadora-geral da Makira-Eta; Eliomar Tukano, coordenador-secretário da APIAM; Marinete Tukano, coordenadora-geral da UMIAB; e Karina Tukano, advogada representante da AMARN.
Fotos: Alex Munduruku
