Lideranças indígenas da Amazônia participaram, nesta sexta-feira (10), da leitura da carta final do Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, em Brasília. O documento sintetiza os principais posicionamentos políticos construídos ao longo da mobilização e reforça a defesa dos territórios indígenas frente ao avanço de projetos de exploração.
Durante o encerramento, o vice-coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Alcebias Sapará, destacou a trajetória coletiva que sustenta o movimento indígena e a continuidade da luta.
“São 22 anos de Acampamento Terra Livre. Não é fácil. São 22 anos de muita entrega e de luta. E que venham mais 22, mais 30 acampamentos. A gente vai continuar firme e forte. Somos resultado das lideranças que vieram antes de nós e temos a responsabilidade de honrar esse compromisso para que as futuras gerações sigam nessa luta”, afirmou.
A carta final do ATL reafirma que a defesa dos territórios indígenas é central para o equilíbrio ambiental e para o futuro do planeta. O documento também faz críticas ao avanço de iniciativas que, segundo os povos indígenas, ameaçam seus direitos e aprofundam a crise climática.
“Não existe futuro possível quando a terra vira mercadoria e nossos povos são tratados como obstáculo. Defender os territórios é sustentar o mundo”, destaca um dos trechos da carta lida durante o ato.
Outro ponto enfatizado é a denúncia contra propostas de exploração mineral, privatização de recursos naturais e o que o movimento classifica como “falsas soluções” para a crise climática. Em contraponto, as lideranças reforçam que a demarcação das Terras Indígenas é uma das principais respostas para enfrentar os desafios ambientais.

Representando a Coiab na coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Kleber Karipuna fez uma fala de encerramento marcada pelo agradecimento às delegações e pela reafirmação do protagonismo das bases.
“Quero agradecer a todas as delegações que vieram de seus territórios, enfrentando longas viagens para estar aqui. A nossa executiva é apenas um instrumento. O movimento só acontece porque vocês, que estão na base, constroem essa luta. Sem a presença de vocês, nada disso seria possível”, destacou.
Ao longo da leitura, a carta também convoca a sociedade brasileira e a comunidade internacional a reconhecerem o papel dos povos indígenas na proteção da vida e da biodiversidade, além de cobrar dos poderes públicos o cumprimento dos direitos constitucionais.
O texto reforça ainda que a mobilização que contou com mais de 8 mil indígenas de diversos povos do Brasil não se encerra com o fim do acampamento, mas inaugura um novo ciclo de luta em defesa dos territórios e da vida indígena.
O Acampamento Terra Livre é organizado pela Apib, e conta com a participação de organizações regionais de todo o país, como a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (ARPINSUDESTE), a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL), além da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), do Conselho do Povo Terena e da Grande Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá (Aty Guasu), que juntos representam a diversidade e a força dos povos indígenas em todas as regiões do Brasil.
Fotos: Madalena Vieira/Ascom Coiab
