Lideranças indígenas da Amazônia Brasileira elegem nova Coordenação Executiva da Coiab para o quadriênio 2026-2030 

A escolha seguiu as regras do Estatuto da Coiab e respeitou a soberania da XV Assembleia Geral 

Por: Coiab

Publicada em: 21/08/2026 às 12:12

Representantes dos territórios das 64 etnorregionais da Amazônia brasileira escolheram a nova composição da Coordenação Executiva, Representação na Coica e na Apib, além dos Conselhos Fiscal e Deliberativo, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) para o quadriênio 2026-2030. A eleição aconteceu durante a XV Assembleia Geral da Coiab, realizada entre os dias 17 a 21 de agosto, na Aldeia Kurehe, Terra Indígena Karajá/Xambioá, no Tocantins — instância máxima de deliberação da organização, conforme prevê o Estatuto da Coiab.

Em cumprimento ao Estatuto, as delegações dos nove estados da Amazônia Brasileira exerceram sua soberania e decidiram por maioria absoluta o formato de votação: por chapas. No dia 20 de agosto, com quórum confirmado e 266 delegados presentes na plenária, a Chapa 01 foi eleita com 249 votos, equivalente a 93,61% do total.

Nova composição da Coordenação Executiva da Coiab (2026-2030):

  • Toya Manchineri — Coordenador-geral
  • Inara Sateré-Mawé — Vice-coordenadora
  • Anderson Tapuia — Coordenador-secretário
  • Dineva Kayabi — Coordenadora-tesoureira
  • Inai’ury Guajajara — Vice-coordenadora secretária
  • Sergio Marworno — Vice-coordenador tesoureiro

Reconduzido ao cargo de coordenador-geral, Toya Manchineri destacou que o novo mandato terá como foco dar continuidade aos projetos e ampliar o alcance das ações da Coiab.

“A reeleição coroa o trabalho da nossa coordenação executiva e da nossa equipe. Saímos fortalecidos desta assembleia. Nosso compromisso é estar cada vez mais presentes nos territórios e buscar mais recursos para as comunidades indígenas de toda a região. Vamos fortalecer nossos setores internos para que, ao final desta gestão, a Coiab esteja mais sólida e preparada para dar continuidade às nossas conquistas. Também assumimos o compromisso de combater a violência contra a mulher indígena, com foco na erradicação do feminicídio dentro dos territórios”, declarou.

Vale destacar que a chapa eleita tem composição paritária, garantindo a voz e representatividade às mulheres indígenas da Amazônia Brasileira. Além de ter a abrangência demográfica por sua composição ser formada por lideranças de sete dos nove estados da Amazônia brasileira, sendo eles: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Amapá, Pará, Maranhão e Roraima; representantes dos povos Manchineri, Sateré-Mawé, Kayabi, Galibi-Marworno, Tapuia, Guajajara, Sapará e Apurinã.

“A presença de mulheres na chapa reflete um compromisso com o olhar coletivo e a igualdade de gênero dentro do movimento indígena — mulheres que protegem territórios, rios e lagos, e que precisam ser as primeiras a falar por si e por suas comunidades. Nosso estatuto fortalece a participação feminina e aqui caminhamos para uma paridade real na organização. Levaremos às regionais um debate urgente sobre o enfrentamento à violência contra mulheres, meninas e crianças indígenas, com o objetivo de alcançar zero feminicídio nos territórios — uma luta que também contará com o apoio dos anciãos e das lideranças tradicionais” falou a nova vice-coordenadora, Inara Sateré.

Novos representantes da Coiab na Apib e na Coica Amazônica

A partir deste ano, a Coiab passa a contar com dois novos representantes em instância nacional e a nível de Bacia Amazônica: Alcebias Sapará atuará na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e Marcos Apurinã representará a Amazônia Indígena na Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica).

Diante do contexto político do país, tendo como plano de fundo uma maior ofensiva aos direitos constitucionais dos povos indígenas, o novo coordenador executivo da Apib pela Coiab, Alcebias Sapará, reconhece o tamanho do desafio de representar os povos indígenas da Amazônia em nível nacional e destaca a necessidade de uma atuação política forte e constante.

“Assumir essa responsabilidade exige compromisso com o futuro, com as crianças que hoje nos ouvem e que um dia estarão em nosso lugar. Nosso compromisso é lutar para que nosso povo e nossas lideranças não morram na defesa dos territórios. Agradeço a cada liderança pela confiança e pelo que me ensinaram até aqui. Seguimos juntos, como um povo resistente”, discursou Alcebias Sapará antes da votação.

A Amazônia contém uma particularidade desafiadora, o bioma é compartilhado por nove países, portanto as pressões sobre os povos indígenas que nela habitam ultrapassam fronteiras nacionais, desde o avanço constante de atividades extrativistas, enfraquecimento dos marcos regulatórios proteção territorial em toda a região, até interferências políticas diretas como as feitas de forma recente e constante pelos Estados Unidos. Diante desse cenário, fortalecer a atuação na Coica, que articula povos indígenas de todos os países amazônicos, torna-se estratégico para garantir direitos e proteção em instâncias internacionais.

“Este momento é muito importante, agradeço a nossa Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (Focimp) pela indicação do meu nome como representante. Fico muito honrado, porque a Amazônia merece cuidado, respeito e o compromisso de lideranças que a defendam. Essa é mais uma responsabilidade que assumo, ao lado da coordenação da Coiab: construir uma Coica sólida e responsável. É importante que possamos, como representantes legais, levar e trazer informações e atuar também nas questões internacionais. Estou feliz por poder contribuir com a experiência que tenho e por seguir aprendendo nesse caminho”, disse Marcos Apurinã.

Conselho Fiscal e Conselho Deliberativo têm nova composição

Conforme o Estatuto, cada um dos dois conselhos, Fiscal e Deliberativo — é formado por 9 conselheiros titulares e 9 conselheiros suplentes, um representante por estado da Amazônia Brasileira, garantindo a paridade de gênero. As lideranças dos nove estados indicaram os novos nomes, também aprovados pela Assembleia Geral.

Ao Conselho Fiscal cabe zelar pelo cumprimento do Estatuto, com atenção especial à execução orçamentária, e fiscalizar os programas e relatórios da Coiab. Ao Conselho Deliberativo cabe representar a Coiab, zelar pelo Estatuto, promover encontros avaliativos da organização e elaborar o regimento interno.

Apresentação de trabalhos

Durante a assembleia, as gerências da Coiab apresentaram os resultados dos últimos quatro anos de trabalho de fortalecimento dos territórios indígenas. As apresentações incluíram as áreas de Monitoramento Territorial Indígena, Assessoria Jurídica, Administrativa, Comunicação, Cafi, Assessoria Internacional e Povos Isolados e de Recente Contato.

Prestação de contas e Regimento Interno

A prestação de contas da gestão 2022-2026 foi apresentada e aprovada sem ressalvas pela Assembleia Geral, em conformidade com o Estatuto, que atribui a essa instância a competência de apreciar relatórios e contas da Coiab.

Mais de 400 lideranças dos nove estados da Amazônia brasileira participaram da XV Assembleia Geral.

Foto: Kaiti Topramre