Os efeitos da seca nas comunidades e territórios do estado do Amazonas, agravados pelo Super El Niño, foram tema de audiência popular ocorrida na última segunda-feira (11) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em Manaus. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) se uniu aos movimentos sociais para debater os desafios, necessidades e soluções para o enfrentamento da crise climática no estado, que possui a maior população indígena do Brasil.
Representantes indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares de diversos municípios relataram dificuldades como perda de plantações, insegurança alimentar, falta de acesso à água potável, impactos na saúde trazidos pela fumaça das queimadas, transporte fluvial prejudicado e falhas no abastecimento de energia elétrica. Também foram abordadas iniciativas da própria população para enfrentar o período da seca, como a criação de brigadas voluntárias.

Movimentos sociais se reuniram para debater impactos da crise climática
“É um pedido de socorro de todos que estão aqui. A Coiab se preocupa em ouvir os povos indígenas, que estão enfrentando os impactos da seca em seus territórios, sobre seus plantios, seus modos de vida. Como garantir que nossos povos sejam escutados, falando de sua realidade? Sabemos que não é fácil chegar aos territórios e isso só vai piorar com a crise climática. Por isso precisamos de apoio e parcerias que garantam o enfrentamento da seca nos territórios, assim como que o poder público cumpra sua parte de resguardar a vida das nossas populações”, afirmou Wanem Kanamari, técnica da Gerência de Povos Isolados e de Recente Contato da Coiab, durante a audiência.
A Coiab, por meio de sua Gerência de Monitoramento Territorial Indígena (GEMTI), tem realizado um trabalho de fortalecimento do monitoramento nos territórios da Amazônia brasileira, levando orientação às comunidades sobre o enfretamento da crise climática e o acompanhamento do desenvolvimento de políticas públicas nos territórios indígenas. Em breve, a organização lançará uma cartilha norteadora para que as comunidades construam seus próprios planos de ação para o período da seca.

Técnicas Camille Correa, Juliane Holanda (GEMTI) e Wanen Kanamari (GPIIRC) representaram a Coiab no evento
Ainda durante a audiência popular, os movimentos sociais reuniram-se em grupos para mapear os impactos, necessidades e medidas já realizadas pelos territórios para o enfrentamento da crise climática. A partir dos apontamentos, foi elaborado um plano de ação com recomendações que deve ser encaminhado ao poder público. O documento será divulgado em breve.
Além da Coiab, participaram da audiência popular entidades como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Cooperativa dos Produtores Rurais dos Assentados do Amazonas (COOPERAM) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), entre outras.
Foto: Valdeniza Vasques
