A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), por meio do Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), concluiu nesta quinta-feira (30), mais um módulo do Curso de Formação Estratégica de Lideranças Indígenas 2026, fortalecendo a formação política, técnica e institucional de lideranças indígenas de diferentes territórios da Amazônia.
Nesta etapa, mediada por Luciana Rocha, assessora técnica da GIZ, o módulo “Análise de Cadeias de Valor com Enfoque em Gênero” promoveu reflexões sobre cadeias produtivas, gestão de projetos, prestação de contas, relações institucionais e equidade de gênero, articulando ferramentas práticas com desafios enfrentados pelas comunidades.
“Quando a gente analisa uma cadeia de valor com enfoque em gênero, não está olhando apenas para produção ou comercialização, mas para quem participa, quem decide e quem ainda enfrenta barreiras para ocupar esses espaços. Fortalecer lideranças também significa criar caminhos para que mulheres e homens possam construir, juntos, processos mais justos e inclusivos dentro de seus territórios”, destacou Rocha.
Ao longo das atividades, lideranças indígenas aprofundaram discussões sobre participação de mulheres e homens nos processos produtivos, acesso a espaços de decisão e fortalecimento institucional, destacando a importância do diálogo entre conhecimentos técnicos e realidades territoriais.
Para a cursista Alziene Almeida, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, o módulo trouxe novas perspectivas sobre gestão e organização de projetos. “Eu achei muito importante, porque muitas vezes a gente tem projetos, mas não entende exatamente como funciona a prestação de contas, como acompanhar ou como conduzir esses processos. Esse momento abriu muito a minha mente sobre como tudo isso acontece e como a gente pode atuar melhor”, destacou.
Cleane Guajajara enfatizou o valor do aprendizado coletivo e da construção de iniciativas a partir do diálogo. “Eu percebi que, para fazer um projeto, a gente precisa manter diálogo. São muitas informações, como acessibilidade, gênero, cadeias produtivas e análise, que eu vou levar comigo. A gente só aprende de verdade quando estuda, entende e transforma esse conhecimento em prática”, afirmou.
Já Josenilson Macuxi ressaltou a importância de aproximar ferramentas técnicas da realidade das comunidades e fortalecer a atuação institucional indígena. “A ideia de trazer esse curso foi justamente fazer com que a gente atualizasse informações e aperfeiçoasse conhecimentos. O sistema indígena e o sistema não indígena precisam dialogar. São realidades diferentes, mas que precisam se adaptar e se compreender”, avaliou.
O curso de longa duração continua até o mês de maio e integra o projeto Redes Indígenas da Amazônia, desenvolvido em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) Brasil, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através do Fundo Amazônia.
Foto: Carolina Givoni/Ascom Coiab
