Terra demarcada, vida protegida: Amazônia indígena ocupa Brasília em defesa de seus direitos constitucionais 

Lideranças indígenas reúnem-se no Acampamento Terra Livre 2026 para denunciar projetos de lei e iniciativas que ameaçam seus territórios 

Por: Valdeniza Vasques

Publicada em: 05/04/2026 às 08:43

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) participa, entre os dias 5 e 11 de abril, do Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, a maior mobilização indígena da América Latina. Sob o lema ‘Terra demarcada, vida protegida: nosso futuro não está à venda’, lideranças dos nove estados da Amazônia denunciam em Brasília iniciativas que ameaçam os territórios indígenas, como a mineração, a exploração de combustíveis fósseis, o agronegócio predatório e outros empreendimentos que violam os direitos dos povos originários.

“Mais uma vez, a Amazônia indígena se une para dizer que nossos direitos não serão negociados. São muitas as ameaças contra os povos indígenas, inclusive vindas do Congresso que deveria proteger a população, mas o movimento indígena segue forte e mobilizado contra esses desafios. Defendemos a demarcação de terras como garantia de direitos e proteção da vida, não só para os povos indígenas, mas de toda a humanidade”, afirma o coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri.

A Coiab levará para o ATL 2026 debates, articulações e estratégias sobre território, direitos, clima, juventude, mulheres indígenas e fortalecimento das organizações. A campanha ‘A Resposta Somos Nós’, que guiou toda a incidência do movimento indígena durante a COP30 no Brasil, segue forte, e a Coiab permanece mobilizada em rede e junto a parceiros e movimentos sociais em defesa da vida.

Programação

Temas como situação jurídica das Terras Indígenas, Amazônia como zona livre de exploração, financiamento direto, impactos do Arco Norte nos territórios indígenas, direitos das crianças indígenas e mecanismos de proteção aos povos indígenas isolados e de recente contato serão abordados pela Coiab durante o ATL 2026.

Haverá, ainda, duas marchas na mobilização: a marcha ‘Congresso inimigo dos povos: nosso futuro não está à venda’, no dia 7 de abril, a partir das 9h; e a marcha ‘Demarca, Lula: Brasil soberano é terra indígena marcada e protegida’, no dia 9 de abril, a partir das 14h.

As atividades na tenda da Coiab estão divididas de acordo com os eixos de atuação da organização. São eles:

06/04 – Defesa dos Direitos Indígenas e Políticas Públicas Prioritárias

07/04 – Autonomia e Sustentabilidade dos Povos e Territórios Indígenas

08/04 – Formação Política e Técnica

09/04 – Gênero, infância e juventude indígena na Amazônia

10/04 – Defesa dos direitos dos povos indígenas isolados e de recente contato

A programação completa pode ser acessada aqui.