Representantes da Amazônia brasileira apresentaram, na manhã do sábado (21/03), o trabalho final do módulo ‘Da oralidade à escrita’, que abordou o alinhamento entre a importância da narrativa oral para transmissão de conhecimentos originários e a escrita como registro desta tradição. Cada aluno desenvolveu um memorial sobre suas trajetórias como lideranças em seus territórios; o momento de resgate histórico foi uma oportunidade para aproximação e compartilhamento entre os participantes.
O módulo compõe o curso de Formação Estratégica para Lideranças Indígenas, promovido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), realizado por meio do Centro Amazônico de Formação Indígena (Cafi), e integra o projeto Redes Indígenas da Amazônia, desenvolvido em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) Brasil, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através do Fundo Amazônia.
Representando a coordenação executiva, Toya Manchineri, coordenador-geral da Coiab, participou do encontro e discursou aos alunos sobre a relevância de mais uma etapa concluída por eles nesta formação.
“Encerramos mais uma etapa do curso celebrando o sucesso do Cafi enquanto instituição que capacita novas lideranças, permitindo que retornem aos seus territórios com maior conhecimento para atuações ainda mais eficientes dentro de suas comunidades. Projetar o futuro é olhar com atenção para os espaços decisórios relacionados aos direitos dos povos indígenas e qualificar nossos representantes para ocupá-los, levando nossas perspectivas e modo de pensar; por isso é tão importante ter cada um de vocês aqui”, disse o coordenador.
Segundo a facilitadora do módulo, a doutoranda Sileusa Monteiro, a matéria falou sobre a trajetória do movimento indígena, a importância da oralidade e como a escrita no contemporâneo faz parte da resistência dos povos indígenas.
“Aqui falamos sobre nosso corpo como extensão dos territórios e como resultado desta semana de aprendizado cada um construiu um memorial. Foi gratificante vê-los registrar suas trajetórias pessoais e como lideranças no movimento indígena, foram trabalhos maravilhosos que nos deixaram muito felizes por poder compartilhar esse conhecimento”, afirmou Sileusa Monteiro.

Sileusa Monteiro (à direita da foto) durante a aula final do módulo
Representando o povo Mura do município de Autazes, no estado do Amazonas, o comunicador e Tuxaua da Aldeia Lago do Soares, Gabriel Mura, foi o primeiro a apresentar seu memorial e ressaltou como a troca de experiências e o registro da história fortalecem o movimento indígena.
“Esse momento é importante porque ouvimos relatos e temos a oportunidade de contar nossas histórias, os desafios que enfrentamos e as experiências que temos. Trago minha vivência e levo muito conhecimento obtido através do compartilhamento que temos feito, isso me engradece e engradece o coletivo dos povos indígenas nos diversos estados aqui representados e assim quebramos a barreira que o Estado brasileiro criou entre nós”, declarou Gabriel.

Tuxaua Gabriel Mura, cursista da Formação de Líderes Indígenas
A formação é contínua e tem duração de três meses; nas próximas semanas os cursistas terão aulas sobre organização de base com o método da Educação Popular e ainda aprenderão sobre Metodologia de Pesquisa.
