A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) manifesta profunda preocupação e repudia o atentado a tiros que deixou dois indígenas do povo Parakanã feridos em uma estrada próxima à Terra Indígena Apyterewa, no município de São Félix do Xingu, no Pará.
Segundo informações divulgadas, os indígenas retornavam de motocicleta após adquirir mantimentos no distrito de Taboca quando foram surpreendidos por uma emboscada e atingidos por diversos disparos de arma de fogo. As vítimas foram socorridas e permanecem hospitalizadas, com previsão de transferência para uma unidade de saúde em Altamira.
A Coiab alerta que o ataque ocorre em um contexto de escalada de violência na região da Terra Indígena Apyterewa, território do povo Parakanã que há anos sofre com invasões, conflitos fundiários, desmatamento ilegal e ameaças constantes contra indígenas e apoiadores das ações de proteção territorial. Mesmo após operações de desintrusão realizadas pelo governo federal, a região continua marcada pela presença de grupos que atuam ilegalmente dentro do território.
A Terra Indígena Apyterewa foi homologada em 2007 e, em 2023, o Supremo Tribunal Federal determinou a retirada dos invasores da área, reafirmando o direito do povo Parakanã ao seu território tradicional. Desde março de 2024, após a desintrusão, as famílias Parakanã retornaram à terra indígena para reconstruir suas casas, retomar suas roças e reestabelecer seu modo de vida. No entanto, os conflitos persistem e os episódios de violência têm se intensificado.
Em dezembro de 2025, durante uma operação do Ibama na região, um vaqueiro foi morto após ser atingido por disparo de arma de fogo. Em janeiro deste ano, um veículo da Associação Indígena Tato’a também foi alvo de tiros. O atentado registrado nesta semana reforça o cenário de insegurança vivido pelas comunidades que seguem no processo de reocupação do território.
Diante da gravidade do caso, a Coiab cobra investigação rigorosa por parte das autoridades competentes, especialmente da Polícia Federal, para identificar e responsabilizar os autores do ataque. A organização também solicita medidas urgentes para garantir a segurança das comunidades indígenas da região, incluindo o reforço da presença do Estado e a continuidade das ações de proteção territorial.
A Coiab reforça ainda a importância da mobilização da sociedade para apoiar o povo Parakanã neste momento crítico. Uma campanha de arrecadação foi criada para apoiar a permanência das famílias na área de reocupação da Terra Indígena Apyterewa, garantindo alimentação, transporte, comunicação, proteção comunitária e suporte emergencial diante dos ataques.
As doações podem ser feitas por meio do link: https://campanhadobem.com.br/campanhas/resistencia-parakana#/
A organização se solidariza com o povo Parakanã e deseja pronta recuperação aos indígenas feridos. A defesa da Terra Indígena Apyterewa é também a defesa da vida, da justiça e dos direitos constitucionais dos povos indígenas no Brasil.
Arte: Vicente Taveira/Ascom Coiab
