A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) manifesta seu repúdio ao atentado ocorrido na última quarta-feira (21) a um funcionário da Associação Indígena Tato’a, do povo Parakanã, dentro da Terra Indígena (TI) Apyterewa (PA). O ataque é mais um episódio de violência que põe em risco a segurança e o bem-estar de homens, mulheres e crianças indígenas que vivem legitimamente em seu território ancestral e lutam para terem seu direito à terra respeitado.
Um fato que gera alerta e preocupação é que a possibilidade de um ataque contra o povo Parakanã dentro de seu território foi comunicada a autoridades e órgãos responsáveis, mas nenhuma medida de prevenção foi tomada.
Isso demonstra a falha na garantia da segurança do povo Parakanã, que encontra-se em uma situação de vulnerabilidade extrema. Enquanto organização representativa dos povos indígenas da Amazônia Brasileira, a Coiab exige que não só os autores do atentado sejam responsabilizados, mas que o Estado e demais órgãos competentes executem medidas de proteção eficazes para resguardar os indígenas da TI Apyterewa.
A TI Apyterewa teve sua demarcação homologada em 2007, mas seu processo de desintrusão só foi concluído de fato em março de 2024. Desde então, o povo Parakanã continua sofrendo pressões e ataques violentos, vindos de invasores que querem ocupar por força e ilegalmente o território. Nesse processo, lideranças são vítimas de ameaças de morte, ataques a tiros e tentativas de intimidação.
O povo Parakanã é de recente contato e luta para exercer seus direitos territoriais, com a autonomia e autodeterminação que lhes é assegurada por lei. Não nos calaremos diante de mais um grave ataque à vida e aos direitos desse povo, e nem de nenhum outro povo indígena da Amazônia. A Coiab exige justiça e que Estado e sociedade se mobilizem para garantir o direito à vida e ao território indígenas.
