Coiab acompanha a escolha da diretoria executiva da ARPIT em assembleia com povos indígenas do Tocantins

Lideranças estiveram reunidas na Aldeia São José para a votação que reconduziu Marquinho Karajá ao cargo de presidente

Por: Lia dos Santos

Publicada em: 19/01/2026 às 17:50

A Coordenação dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) participou da II Assembleia Geral Eletiva realizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (ARPIT) para a escolha da nova diretoria e do conselho fiscal da organização de base, realizada entre os dias 16 e 18 de janeiro no Território Indígena do Povo Apinajé, município de Tocantinópolis-TO. 

O coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri e a coordenadora-tesoureira, Dineva Kayabi, estiveram presentes pela primeira vez na Aldeia São José, onde acompanharam a votação que reconduziu Marquinho Karajá ao cargo de presidente da organização. Na ocasião, representantes da assessoria jurídica da Coiab, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e lideranças dos povos indígenas do Tocantins participantes da ARPIT cumpriram os ritos para a eleição da nova diretoria, que cumprirá o mandato de quatro anos, correspondente ao período de 2026 a 2030. 

Conheça a nova composição da diretoria da Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (ARPIT): 

Presidente: Marquinhos Karajá; 

Vice-presidente: Edson Sikmowe; 

1° Tesoureiro: Davi Chavito Apinagé; 

2° Tesoureiro: Ibederi Javaé; 

Secretária Geral: Renata Mandiru Javaé; 

Diretor de Articulação: Natanael de Bonito Karajá; 

Suplente Geral: João Kwanhá Xerente ; 

Conselho fiscal: João Carlos Pereira Javaé, Luis Dias Sousa Apinagé e Eliete da Silva Xerente. 

Presenciar o exercício dos povos indígenas do Tocantins na definição dos seus representantes foi um momento importante para a coordenação executiva da Coiab e marca o compromisso de consolidar parcerias nos territórios indígenas da Amazônia Brasileira. Após a posse dos eleitos, o coordenador-geral apresentou aos participantes o trabalho realizado pela Coiab nos territórios, destacou os projetos existentes, prestou contas dos recursos destinados à ARPIT e, por fim, incentivou a participação das comunidades indígenas nos editais realizados pela organização. 

“Nossa presença neste momento fortalece a gestão das coordenações nos territórios que fazem parte da rede da Coiab e nos permite acompanhar o que acontece nas comunidades indígenas nos estados da Amazônia Brasileira. No ano passado, conseguimos firmar uma grande parceria com a TNC, que permitiu o envio de recursos para o estado do Tocantins e esse recurso vai servir para que a diretoria da ARPIT consiga concretizar ações transformadoras. Participar da assembleia nos permite também ouvir as demandas trazidas pelos representantes dos povos, conhecer as diversas realidades e a partir disso traçar estratégias para captação de recursos e implementação nos territórios”, declarou Toya. 

Durante seu discurso, a coordenadora-tesoureira Dineva Kayabi destacou a participação das mulheres na assembleia e na composição das chapas participantes. 

“Falo às mulheres que nunca tenham medo de ocupar espaços como este, pois aqui é um aprendizado e mostra a nossa capacidade de assumir posições de liderança. Hoje estou como coordenadora-tesoureira da Coiab, mas comecei há muitos anos no movimento aprendendo a cada dia e colocando meus conhecimentos e experiência à serviço dos povos indígenas”, afirmou Dineva. 

Durante o processo de decisão, a Coiab, através da integrante da assessoria jurídica, Dra. Karol Tukano, prestou assistência técnica para que o pleito ocorresse de forma objetiva e tranquila e em observância aos ritos e procedimentos estabelecidos. 

“Nosso principal objetivo como assessoria jurídica é dar suporte às organizações de base, então, quando temos uma assembleia eletiva o nosso papel é estar presente e dar o apoio técnico necessário. Temos um diferencial que é uma assessoria composta inteiramente por indígenas e dessa forma conseguimos traduzir a linguagem técnica para uma linguagem mais simples aos parentes, deixando-os mais confortáveis e cientes do processo que estão participando”, disse. 

Janaína de Oliveira, coordenadora assistente de projetos da APIB, participou da comissão eleitoral e, junto com uma equipe determinada, prestou assistência logística e organizacional respondendo a solicitação realizada pelo atual coordenador executivo da APIB, Kleber Karipuna, junto com o coordenador geral da Coiab, Toya Manchineri. 

“A APIB tem acompanhado todas as assembleias das suas regionais de base e nos foi solicitado a participação do setor de projetos nesta eleição. Portanto, nossa equipe colocou à disposição dos participantes toda a experiência e apoio ao rito de eleição para, principalmente, seguir com transparência, ética e respeito aos povos indígenas e conseguir o menor tensionamento neste evento”, falou Janaína. 

Eleito para continuar à frente da articulação no quadriênio 2026 a 2030, Marquinhos Karajá, declarou o compromisso de continuar no avanço de projetos desenvolvidos e fortalecimento na participação das mulheres indígenas em sua gestão. 

“Já temos projetos em andamento como é o caso do projeto Redes Indígenas da Amazônia, por meio da Coiab, um trabalho importante que promove a sustentabilidade e fortalecimento das organizações indígenas do estado Tocantins através das formações promovidas. A partir de agora teremos como objetivo maior fortalecer a participação das mulheres indígenas do nosso estado para que se torne um movimento paralelo e forte ao final do nosso mandato”, declarou. 

Sobre a ARPIT 

A Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (ARPIT), é uma instituição que tem como objetivo promover de maneira coordenada e unificada a organização social, cultural econômica e política dos povos indígenas e suas organizações de base. A articulação iniciou suas atividades no início de 2015, através de uma comissão provisória, e foi oficializada no dia 30 de setembro do mesmo ano, em uma Assembleia Ordinária realizada, na cidade de Palmas, com a presença de mais de 60 lideranças indígenas dos diferentes povos indígenas do estado.